quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Maré

Perdido em olhares vãos, em gestos vagos, em luas cheias
Sentindo o vento, em busca de um sabor quente e desconhecido
Onde ondas batem, e me submergem num mar de pensamentos...
Insensatos, incoerentes, impiedosos, porém intensos.

Quais as palavras certas ao olhar nos olhos teus?
Me diz o caminho pra sentir minha mão na nuca tua
e desde aí encontrar sem medo estes lábios finos?
Não há rota mais incerta, não há amor maior.

Longe, eu tento desesperado ser uma lembrança...
Chegar em horas quaisquer, roubar aquele sorriso espontâneo...
Único.
Teu.

E eu sei que é por um segundo
Eu sei que passado ele, a vida volta...
Mas no segundo, naquele exato segundo...
Tenho a certeza de que contigo sou completo.



terça-feira, 6 de maio de 2008

Não

Te vi! E isso é fato, ainda que a tristeza de meu olhar tenha sido visível ao perceber
a distância infinita entre nossos lábios.
Falhei. Pensando que o tempo fosse etéreo e as nossas vidas pairassem sobre o ar.
Chorei. Apagando as lágrimas com as mãos, provas vivas de uma história que acreditava não ter
fim.
E segui. Caminhando à passos longos e reticentes, desconexos rumo à um destino que não quis
olhar.
Após, com uma calma desesperada e fina, rumei feliz para o degrau que não havia mais.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Se fosse hoje, ainda que cedo, seria inigualável...

E pena que ontem, já tarde demais, não percebi...

Assim, essa tua presença marcante como brasa em pulso

Fez-te demasiado pura para que eu pudesse esquecer...


Chegaste como pó,

Cresceste como pétala,

Tomaste meu coração

E sem mais, foste com o vento.


Meus olhos turvos já não brilham mais.

Minhas mãos carentes já não tem à quem.

Meu corpo inerte já não anda, paira...

E perdido de ti me jogo na escuridão.

Cheguei a conclusão de que nem sempre o que quero é o melhor pra mim.
Existe aquela necessidade discreta e oculta de sofrimento, de solidão...
Afinal, se o mundo fosse perfeito, ele não o seria.
Desejo que tudo saia como planejado, que as palavras saiam suaves do pensamento
em direção ao papel.
Seria mais fácil se alguma coisa fizesse sentido. Tudo parece confuso e nebuloso do ponto de
vista de alguém sensato.
Ainda assim, acho que um dia vai dar certo.
Nesse dia, os erros viram aprendizado, os desejos se tornaram realidade.
E aí quem sabe tudo não valeu a pena?
Quem sabe se no fundo eu não estou ao seu lado?
Agora jogo o tudo fora e começo uma história feliz...
Fictícia mas feliz.
Momentos de solidão, momentos que fazem a gente pensar o porquê da nossa tristeza...
Aquele vazio que se sente quando não tem nada pra fazer, nada pra amar, nada pra querer...
A vida nem sempre é simples como a gente quer.
A vida às vezes é fria, sem piedade e sem perdão... Nem tudo que a gente faz é reversível.
No entanto, o amor esquece as regras e escapa desse mundo triste e autoritário...
Amor é mais, amor é fantasia, amor é... simplesmente amor.
E quando a gente pensa que tudo mais acabou, nada mais faz sentido.... Ele chega como luz.
Ele chega como vento em dia quente, aquela esperança de que nem tudo está perdido...
Talvez seja ilusão, talvez o mar de rosas seja feito de pedra... Mas que importa?
E ao se jogar na imensidão, o fim pode ser pior...
Talvez seja simplesmente...
O FIM.
Queria que fosse ontem o que está por vir...
Poder saber qual foram seus sentimentos, entender o que sentia por mim naquele momento...
Será que eras triste? Sequer consegui dizer que te amava...
Sabia que as palavras iam fugir, era certo teu encanto me faria escravo. Mas mesmo assim eu queria...
E com passos curtos fui ao teu encontro, lábios trêmulos, meus olhos distantes que fugiam dos teus.
Era medo, era tristeza, era saudade, era amor. E isso eu sabia.
Mesmo assim senti teu sorriso, percebi calor ao tocar suas mãos, ao beijar sua face...
Então nada mais importava. E me perguntava: o que viria mais além?
E sofri, pois tudo que começa há de ter um fim.
Te esconde, fecha os olhos, cante uma cantiga que te lembre amor.
O mundo te espera sem piedade, é cruel demais para alguém como você.
Vou te guardar em cofre, prendê-la a sete chaves.
Te acariciar com palavras simples, te esquecer como uma outra qualquer.
Respira, sente o doce aroma das rosas que te trouxe.
Deita, te cubro e dorme que já chega o amanhecer.
Me esqueça, finge que fui apenas um sonho bom.
És linda, fria e pura como a neve que cai lá fora.
E agora, mesmo te vendo sem vida, percebo que na verdade, quem morreu foi eu.